Algo nebuloso, impublicável e corrupto está por trás da venda da CEDAE

Este processo esconde a entrega de um setor estratégico do ponto de vista econômico e principalmente da saúde pública
Por Ary Girota

O que está por trás da privatização da Cedae, a Companhia de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro? Fomos surpreendidos na última terça-feira (15), pela notícia de que um consórcio liderado por Concremat, Banco Fator e Vernalha Guimarães & Pereira Advogados Associados, venceu o pregão realizado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para prestar serviços técnicos visando à privatização da Cedae.

A Croncremat, aquela construtora responsável pela ciclovia da Avenida Niemeyer, ao custo de R$ 44 milhões, que desabou matando duas pessoas no ano passado, ganhou da Price, Deloitte e Nielsen – consultorias internacionais que aconselham governos e auditam as maiores empresas do planeta.

A Concremat pertence à família de Antônio Viegas de Mello, ex-secretário de Turismo de Eduardo Paes. Tal situação já seria suficiente para uma suspeição, já que todos têm alguma relação com o PMDB de Michel Temer, Luiz Fernando Pezão, Jorge Picciani e Sérgio Cabral.

Já o banco Fator, em janeiro de 2017 acumulava prejuízo na ordem de R$ 88 milhões e encerrou as operações de sua corretora no Rio.

Quanto ao escritório de advocacia, bem esse vai tentar dar um aspecto de solidez e legalidade ao processo, afinal de contas, no ramo do direito tudo é pautado na argumentação e na conciliação de ideias.

Como duas instituições com problemas de comprometimento político, estrutural e financeiro como a Concremat e o Banco Fator, podem estar qualificadas para avaliar o atual patrimônio da Cedae? E o que pode representar em termos de investimentos futuros no saneamento básico?

Na realidade, o processo de privatização da Cedae esconde a dilapidação do patrimônio público, a corrupção que levou ao caos financeiro no estado e a entrega de um setor estratégico do ponto de vista econômico e principalmente da saúde pública (tratamento, produção, distribuição de águas e esgotos).

A discussão deveria ser pautada primeiramente em quais custos e benefícios a sociedade carioca teria com esta pseudo privatização, principalmente, no que concerne ao fictício socorro fiscal alardeado pelo governo federal. A impunidade e as relações promíscuas entre poderes da República e empresários parecem não ter se abalado com a Lava-Jato.

Talvez você, leitor, possa responder à pergunta inicial com relação ao que está por trás do interesse na venda açodada e descabida da Cedae.

* Ary Girota é delegado sindical – Stipdaenit/Cedae e Integrante do Movimento Unificado dos Servidores Públicos Estaduais (Muspe)

 


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