O Rio de Janeiro e o banco do genocídio: selva com lei de cassino

O Ministro da Justiça, Torquato Jardim (não confundir com Torquato Neto, dramaturgo genial), foi à mídia, dia desses, denunciar o ambiente de falcatrua institucional vigente no Rio de Janeiro. Bandidos de todas os matizes – ladrões públicos, milicianos, traficantes et caterva – se organizaram em uma portentosa gangue para exercer o poder no Estado do Rio de Janeiro.

Torquato Jardim é um homem sensato. Em termos gerais, parece ser o único Ministro do Governo Temer qualificado para o cargo. Em termos específicos, tem plena razão no que diz.

A degenerescência do Rio de Janeiro é de tal monta que, segundo Ancelmo Gois, um insuspeito sócio do poder, Torquato foi visitado recentemente por um Deputado do Rio acompanhado pelas digníssimas esposas de dois badalados traficantes (agora já se sabe que é o Pastor Francisco Floriano).

É assim que o Rio tem funcionado. Deputados servem a bandidos como advogados e intermediários em troca de uma “pequena participação” nos negócios das drogas, às vezes paga com direito a exclusividade na hora do voto. Quem jurava sobre a bíblia que a indústria das drogas era controlada por traficantes pés de chinelo encastelados nas comunidades deve ter ficado decepcionado ao descobrir que o negócio é controlado por gente grande, rica e poderosa que a cada quatro anos pede o voto do cidadão e é protegida, blindada, pela nossa queridíssima mídia, que de moralista e defensora dos direitos do povo não tem nada.

E tudo controlado pelo chefe da gangue, Sérgio Cabral, de dentro do presídio especial construído para seu conforto e segurança em Benfica, no melhor estilo “La Catedral” de Pablo Escobar.

Em meio ao caos financeiro, moral e penal, o Rio de janeiro ganhou mais uma parceria bandida, com o banco BNP Paribas S/A, único concorrente e, claro, vencedor do pregão para escolha do banco que emprestará dinheiro ao Governo do Rio tendo as ações da Cedae como garantia.

Nenhum banco brasileiro de pequeno ou grande porte se arriscou a participar da falácia. Por isso o RJ se tornará devedor de um banco atípico, especialista em genocídio em Ruanda, em desvio milionário de dinheiro da ONU para auxílio humanitário no Iraque, em lavagem de dinheiro na Espanha, no escândalo dos subprimes que geraram a crise mundial de 2009 nos EUA, e sócio da JBS, aquela do Joesley e do Henrique Meireles, no Brasil. Um banco cujo presidente teve que assinar um cheque de 8,97 bilhões de dólares (29,31 bilhões de reais), dez vezes mais do que emprestará ao RJ, para se livrar de uma investigação criminal nos EUA, e está sendo afastado do mercado na Europa.

Onde há lei, ao que parece, o BNP Paribas S/A não prospera. Talvez exatamente por isso esteja buscando parceiro no Brasil, especialmente no Rio de Janeiro.

Este banco, BNP Paribas S/A, que já quebrou o Rio Previdência, mergulha avidamente no caldeirão de mutretas, mustrecas e mazelas patrocinado pela gangue de Cabral e se torna o mais novo parceiro de picaretagens da quadrilha que dirige o Rio de Janeiro estabelecendo aqui uma selva com lei de cassino, conforme denúncia do próprio Ministro da Justiça.

O curioso é que todo esse novo embuste, inclusive essa nova parceria com os gangsteres internacionais do BNP Paribas S/A, tem um único objetivo: entregar a Cedae à iniciativa privada. Um negócio que renderia milhões em propinas para os parasitas que nos governam, mesmo em sacrifício da qualidade de vida da população fluminense.

Tudo com apoio da mídia, tendo à frente as Organizações Globo, sócia majoritária do projeto.

Os investimentos feitos da área de saneamento do Rio de Janeiro remontam ao Brasil Império. Não há forma possível de avaliar os bens da Cedae, em termos de custo-benefício, exatamente pelo papel que o saneamento exerce no desenvolvimento do Estado, inclusive e principalmente na capital. “Vender” a Cedae, na verdade, não passa de uma ideia insana proposta por gente que não tem a menor noção do que seja o setor de saneamento. O único lucro possível nessa área é o social. O abastecimento de água e a retirada do esgoto da casa dos cidadãos fluminenses, e brasileiros, é algo milhões de vezes mais importante do que qualquer tentativa de encher os bolsos de dirigentes bandidos com dólares oriundos de propina.

Saneamento é a atividade primeira quando se trata do desenvolvimento de uma população, qualquer que seja. Não é um negócio, é a base da evolução coletiva. Por mais que a mídia dê voz apenas aos negociantes da Trata Brasil – ONG sustentada pelos vendilhões do saneamento-, aos governantes bandidos, aos gangsteres internacionais e a seus outros sócios no grande negócio de viver à custa dos impostos pagos pelos cidadãos, essa empreitada leviana não tem o menor risco de dar certo.

Cada vez mais a sociedade vem se mobilizando. O que começou apenas como luta sindical já envolve boa parte das instituições populares do Rio. Várias lideranças comunitárias já perceberam que estarão fora desse projeto. Nas áreas menos favorecidas da capital e na Baixada Fluminense, no interior do Estado, as pessoas, as famílias, os cidadãos estão cada vez mais interessados em participar desta luta contra a entrega da água que o povo bebe à exploração financeira internacional.

A APS está engajada nessa luta. O exército do mal venceu essa batalha, mas perderá a guerra. Estamos levando o debate a todos os reais interessados, à sociedade, ao povo fluminense.

Na verdade estamos diante de uma questão maior. Não se trata de meramente entregar a Cedae ou o setor de saneamento à sanha de corruptos públicos e ladrões privados – trata-se de retomar o poder do estado para o controle do cidadão. Trata-se de expulsar os vendilhões da pátria, de fazer com que o estado brasileiro e o poder público fluminense voltem a ser um instrumento capaz de atender as demandas da sociedade, que volte a pertencer ao povo e atender aos seus interesses, ao invés de ser refém dos interesses de uma pequena quadrilha que faz de tudo, inclusive descumpre e até modifica as leis para atender aos seus interesses venais.

A realidade confirma que Torquato tem razão. Eles querem instituir uma selva com lei de cassino, cabe a nós, todos nós, reagir com todas as foças possíveis para impedir a mercantilização do estado. Isso é o que se chama combater o bom combate, e a APS o está combatendo.

O Rio de Janeiro está podre, é verdade. Mas só o povo tem capacidade e a legitimidade para expulsar essa gente do poder e reconstruir nosso estado, com pessoas sérias, com gente que não se poste de joelhos em honra ao Deus grana ou venda sua alma por trinta dinheiros.

E nós, enquanto cidadão e enquanto povo, vamos fazer isso.

Vicente Portella

Presidente da APS


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