[OPINIÃO] A intervenção do caos: soldados ao invés de escolas, por Brizola Neto

Mais uma vez a intervenção militar do Governo Federal surge como grande solução para o colapso da segurança pública no Rio de Janeiro. Mais uma vez as Forças Armadas do Brasil serão rebaixadas a condição de força policial. Mais uma vez a população assistirá um espetáculo midiático que em nada mudará o mapa da violência no Estado.

O “socorro” prestado pelo Governo Federal já é conhecido pela população carioca: o envio de tropas federais por tempo determinado, porquê não há orçamento que aguente, que certamente não vão desmobilizar o tráfico, se não superficialmente e por alguns dias, como já se repetiram inúmeras vezes e sem nenhuma ação estruturante, capaz de retirar o Rio de Janeiro do estado de completa falência de seus órgãos e instituições.

Sem orçamento, com o salário dos servidores atrasados, inclusive dos policiais, a rede de proteção social destruída, escolas sem aulas, hospitais em colapso, a crise na segurança pública é o mais grave dos sintomas de um Estado que a muito tempo está doente pelos muitos erros dos últimos Governadores.

Não me refiro simplesmente a corrupção, descomunal, gigantesca, nababesca comandado por Sérgio Cabral e sua quadrilha, da qual o atual Governador Pezão também faz parte.

Falo de todos os Governadores que sucederam Leonel Brizola e destruíram o único caminho capaz, de forma estrutural, de retirar da segregação social que lhes impõe a atual sociedade do ultraconsumo, milhares de crianças e jovens.

A educação, que nos Governos do velho caudilho, não eram discurso populista como muitos como a rede Globo queriam fazer crer.

A educação para Brizola nunca foi gasto e sim investimento, chegou a consumir quase metade do orçamento do estado, quarenta e oito por cento para ser exato no ano de 1993.
Mais de quintos CIEPs, que eram mais do que escolas de tempo integral o maior e mais ousado investimento em educação já experimentado no Brasil, tanto pelo que trazia de inovação com a colaboração de gênios como Darcy e Niemayer como pela escala.

Além de inúmeras escolas técnicas, criação da Universidade do Norte Fluminense e de substanciais orçamentos para a Universidade do Estado do Rio de Janeiro, com abertura de novos campos e para a promoção da pesquisa pela FAPERJ.

Tudo isso foi sendo desmontado sucessivamente por todos os Governadores que vieram depois de Brizola desde Moreira Franco até Sérgio Cabral e Pezão.

Curiosamente, ou não quase todos do PMDB, com uma exceção que só confirma a regra: Marcelo Alencar do PSDB.

A lógica neoliberal que domina a cabeça destes governantes, mesmo vivendo momentos econômicos muito mais favoráveis do que Brizola em seus governos, aplicou um duro golpe nos investimentos em educação e em toda a rede de proteção social do estado saqueando os recursos e os transferindo para área de segurança pública, na verdade puramente para a política de repressão policial. Chegamos então ao cúmulo de no ano de 2017 ter uma Secretaria de Segurança Pública que detinha um orçamento superior ao da Secretaria de Educação e Saúde somadas.

Como resultado os indicadores de violência subiram a patamares nunca antes vistos, mesmo no estado do Rio de Janeiro. Nunca as forças policiais mataram tanto, nunca morreram tantos policiais, nunca a população se sentiu tão acuada.

E agora, o Presidente Michel Temer apresenta ao Governador Pezão a grande novidade, a panacea que irá curar o povo do Rio de Janeiro de todos os seus males com uma grande intervenção militar.

Nenhum socorro financeiro as falidas contas do estado, nenhum plano para por em dia o salário dos servidores, nenhum investimento para recuperar a rede de proteção social do estado.

Francamente, só mais um triste espetáculo de mídia e o abraço de dois afogados.

Brizola Neto


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