Água não é commodity

Água, a ‘commodity da vez’: saneamento básico é para todos? A Sputnik Brasil conversou com o ecologista Sérgio Ricardo (Baía Viva) sobre os maiores desafios do Brasil na área do saneamento ambiental.

“Temos uma situação muito precária aqui no Brasil e em vários países da América Latina e da África em relação à ausência do saneamento básico. Hoje há um conflito muito grande de disputa por esse recurso essencial à vida e há toda uma estratégia das corporações, do sistema financeiro, tentando mercantilizar esse que é um bem comum, bem público, de interesse coletivo”, afirmou.

“Nós não podemos tratar a água como uma commoditie, como um bem mercantil, e esse é um processo que está se dando muito intenso em vários países. No caso aqui do Brasil, o atual governo federal tem planos de privatização das 14 companhias de saneamento. O estado do Rio de Janeiro está sendo um laboratório dessa mercantilização da água”, observou o especialista.

De acordo com Sérgio Ricardo, 2 milhões de pessoas de renda mais baixa só têm acesso à água potável de boa qualidade porque ela é fornecida empresas públicas, citando o caso da CEDAE, no Rio de Janeiro. “Caso a CEDAE venha a ser privatizada, os mais pobres vão passar por um processo de uma maior dificuldade de acesso ao abastecimento público”, argumentou.

“O Brasil tem sido objeto de um laboratório do que nós podemos chamar de um neoliberalismo tardio. Nos anos 90 houve um processo muito intenso de privatização de várias estatais, empresas importantes do setor elétrico, que são fundamentais para a qualidade de vida das pessoas, e agora a commoditie da vez é a água. E muitos eventos tem sido realizados no país tentando criar na opinião pública uma ideia de que solução privada vai solucionar os problemas de déficit”, completou o ambientalista que é um dos fundadores do movimento Baía Viva na década de 1990.

.

Clique aqui para a entrevista completa

 


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *