A Cedae é do povo como o céu é do condor

Os profissionais em saneamento do Rio de Janeiro ficaram apreensivos com a recente declaração do Governador Wilson Witzel de que privatizaria a Cedae após a aprovação da lei do saneamento.

A Declaração se deu diante de um afoito Paulo Guedes que, rodeado de asseclas, batia palmas efusivamente.

Na verdade o Governador, que já declarou várias vezes ser contra a privatização, apenas cumpriu o protocolo diante de um Ministro emocionalmente envolvido com o mercado e inimigo declarado de tudo que seja público. O Rio de Janeiro, aliás, vem sendo atacado e chantageado pelo Governo Federal desde o temerário Governo Temer. A própria renegociação da dívida do Rio prova isso, nada é além de extorsão. Uma agressão a um Estado membro da Federação.

O Governador atual, assim como o anterior, precisa, publicamente, se submeter aos ditames do Governo federal. Pelo menos por enquanto.

Paulo Guedes, como publicado recentemente na mídia, defende a privatização até do ar que se respira na Amazônia, tão grande é seu ódio patológico pelo Estado e pelo poder público. Economista medíocre, já considerado atrasado e obtuso desde os tempos dos Chicago Boys, grupo de economistas desastrosos surgidos nos anos 80 que destruíram a economia do Chile, nosso vizinho da América do Sul.

Paulo Guedes nunca obteve destaque profissional antes de Bolsonaro exatamente por ter uma visão atrasada de mundo. Enquanto todas as grandes cidades do planeta estão reestatizando o saneamento, por absoluto fracasso da iniciativa privada, o “posto Ipiranga” de Bolsonaro quer “vender tudo”.

O Ministro da Fazenda, na verdade, não tem a menor ideia de como funciona o sistema brasileiro de saneamento, nem o Estado, por isso crê que basta o ato de doar a Cedae para algum de seus amigos endinheirados para passar o controle do setor no Rio de Janeiro para a iniciativa privada. A realidade não é bem assim.

Dos 92 municípios do Rio de Janeiro a Cedae abastece 64 e cada um deles tem o poder de concessão. Boa parte dos prefeitos são radicalmente contra a entrega dos serviços a empresas privadas, até por uma questão de sobrevivência. Entregando a água da população aos caprichos do lucro seria inevitável uma grave crise de inadimplência, pois a população não teria fôlego para pagar as altíssimas contas exigidas por empresas compromissadas apenas com o acúmulo de dinheiro. E quem pagaria a conta seriam exatamente as Prefeituras, tanto do ponto de vista financeiro quanto político. Prefeito que for conivente com a mercantilização da água certamente cairá em desgraça.

Parafraseando Castro Alves, podemos dizer que a Cedae é do povo como o céu é do condor. Povo, nesse caso, são as comunidades abastecidas gratuitamente ou com tarifa social. São as populações das áreas mais pobres, como Baixada Fluminense e São Gonçalo. São os milhões de trabalhadores do Rio de Janeiro que pagam suas contas com dignidade porque, sendo pública, a Cedae mantém uma tarifa compatível com o orçamento mensal dessa população.

A Cedae pertence LITERALMENTE ao povo do Rio de Janeiro e Paulo Guedes aprenderá isso rapidamente.


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