CEDAE: a privatização e o saco de jujubas

Mais uma vez as forças e os interesses contra o povo coordenaram-se e novamente se desencadeiam sobre mim.”

 

A frase acima abre a carta testamento de Getúlio Vargas, um dos documentos mais importantes da história política brasileira.

Grosso modo e guardadas as proporções, o espírito dessa frase norteia a CEDAE nesse exato momento. Vendilhões de toda sorte atacam por todos os lados em busca do seu naco, do seu pedaço, do seu quinhão nessa negociata de aproximados 30 bilhões de reais que pode levar ao colapso o sistema de abastecimento do Rio de Janeiro.

Mudado governo, agentes políticos, direções, sentidos e nuances; mocinhos misturando-se com bandidos, vítimas se solidarizando com algozes, os papéis de empregados e dirigentes sendo questionados, reina o caos. Mas na Cedae não há patrões. Somos, ainda, uma empresa pública e precisamos unir todas as forças possíveis e imagináveis, interna e externamente, pois tudo permanece absolutamente como estava: a CEDAE continua sob ataque.

Até a própria Alerj, recentemente convertida à defesa do Estado, vem recuando paulatinamente. Editais publicados, ameaças concretizadas, dados manipulados tornados públicos para fundamentar a tenebrosa transação e, salvo honrosas exceções, não há ainda sinais de resistência real vindos da Alerj. Há discursos, papos, tapinhas no ombro e tudo mais. Muito bonito. Gentil, inclusive. Mas nada há de contundente. Tudo doce como a jujuba sugerida por Tristão, o homem forte de Witzel.

Ao que parece, lideranças outrora importantes, algumas até estratégicas, já que detentoras de postos chaves, foram enquadradas pelo processo ou optaram pela submissão.

Há Deputados valorosos, claro. Alguns ainda atuam com dignidade contra a entrega da água aos negocistas do caos. Mas ao que parece, infelizmente, abandonados pelos generais, estes se tornaram Dom Quixotes lutando contra os mais venais moinhos de vento.

É importante frisar que o ataque, de tão sórdido, não se limita ao campo externo. Assim como na era Marcelo Alencar, a CEDAE vem sendo corroída por dentro, desde o tempo da estranhíssima geosmina, para que sua imagem seja desconstruída perante a população. Um marketing eficaz para convencer as pessoas de que privatizar é o melhor a se fazer.

O alvo atual é o Lameirão, maior elevatória de água potável do mundo e orgulho da engenharia brasileira.

Mas não há de ser nada. A Carta de Getúlio também nos aponta o caminho para a resistência.

E aos que pensam que me derrotaram respondo com a minha vitória”.

Nós, profissionais de saneamento, vamos cumprir nossa parte até o fim. Parafraseando o samba da Vila Isabel: Lutar nossas lutas de azul e branco é o nosso papel.

Seguimos na guerra, batalha por batalha. E vamos vencer.

 

Vicente Portella

Presidente da APS

 


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