[OPINIÃO] Em defesa da Cedae, por Ailton Gomes

No novo modelo de relações humanas proposto, que querem nos fazer acreditar que seria melhor do que o anterior, os donos do planeta nos fazem mergulhar neste mundo globalizado, de tantas informações, marcas e imagens sem conteúdo, que não damos a devida importância a aquilo que realmente nos interessa.

Nesse sentido, há um tema peculiar à nossa categoria que nos dá, hoje, um papel estratégico dentro do contexto nacional.

Estamos vivendo no Estado do Rio um momento de exceção. Há um ano estávamos extasiados com o grande evento das olimpíadas. Dentre tantas aberrações e situações inglórias, houve uma questão salutar : nós, trabalhadores da Cedae, Cia responsável pelo Saneamento do Rio de Janeiro, tivemos um papel preponderante na construção de toda a estrutura do evento. Podemos citar aqui toda a estrutura da Vila Olímpica e o sistema de abastecimento da Vila Olímpica de Deodoro, onde ocorreram as competições aquáticas, que, naturalmente, necessitavam de um considerável volume de água fornecida pela Cedae

É impossível que aos olhos dos governantes a mesma Companhia que cumpriu esse papel tão importante, fundamental para o sucesso das olimpíadas, apenas um ano depois já seja considerada descartável, já não tenha nenhuma importância.

Contudo, os detratores do Estado e os semi-deuses em Brasília decidem, sem um mínimo de consideração, se desfazerem de uma das maiores empresas de saneamento do mundo. Criam argumentos que não traduzem a verdade para simplesmente doá-la, anexa-la ao capital de um grupo financeiro formado por expropriações de bens públicos de Países alheios.

Pois bem, no próximo 01/11 – Quarta-Feira, o Povo do Rio e os trabalhadores em saneamento têm a obrigação de fazer valer o que é nosso de direito e defender a Cedae.

A água é riqueza natural e não pode ser vista como uma mercadoria para ser negociada por esse bando de hipócritas a preço de banana, para o simples prazer de enriquecerem a custas de um Povo sofrido mas que luta para viver com dignidade.

Dessa forma, a consciência que devemos ter é que na luta de classes, enquanto os donos do poder estão de um lado, o Povo estará do outro.

Vamos enfrentá-los e mostrar que o neoliberalismo ou mercado livre, como queiram, encontrará resistência e não iremos nos deixar enganar, já que uma vez a água privatizada teremos aumento de tarifa e as camadas mais pobres da sociedade não terão direito a abastecimento sem pagar o valor cobrado por esses cafajestes.

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Ailton Gomes É trabalhador da Cedae.